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Sem titulo/ Untitled 1,2, 3 / 2012/ink on paper 75 x 60 and 75 cm










Guillotinées 2011-12





























Guillotinée/ 2011/Ink on Paper/75 x 115 cm 
Guillotinée (detail)
Guillotine (Fragment) 2012/ Ink on Paper/ 80 x 60 cm
Continente Negro/ Black Continent acrylic on canvas 1,00 x 1,40 m






Enraizada 2 / 2012 acrylic on paper 70 x 100 cm
Enraizada 1/  2011 mixed media on paper 90 x 130 cm
Untitled / 2011 pastel on paper 29 x 21 cm
Untitled / 2011 pastel on paper 21 x 29 cm











 

Paintings























Born/ 2013 acrylic on canvas 0,80 x 1,10 m 
Untitled/ 2013 acrylic on canvas 1,60 x 1,20 m
Cindida/ acrylic on canvas 1,10 x 1,50 m 
O enigma/ 2011 acrylic on canvas 110 x 140 cm
Sem titulo 2013 acrylic on canvas 100 x 110 m
Carnaval e cinzas / Mardi Gras 2011, acrylic on canvas 80 x 100 cm
Alada/ 2011, acrylic ob canvas 120 x 160 cm


Series Corpotopias - drawings







































































 



























All images 
2008/2010 drawings on moleskin/ digital collages 28 x 24 cm each

Series Corpotopias - engravings










A primeira forma 2009 ecthing 40 x 25 cm
Pulmao 2010 digital print 80 x 110 cm
Flor de Sangue 2010 ecthing
Coral 2011 echting on nepalese paper 24 x30 cm
De Veias e Rios 2010 echting on nepalese paper 50 x 60 cm
De Veias e Rios - detail
De Veias e Rios - detail 
Pés e pernas etching on nepalese paper 
Pés e pernas - detail 
De Montanhas e Conchas etching on nepalese paper
Historia Natural 2010 echting on nepalese paper 30 x 50 cm
Coral com figura feminina 2011 echting on nepalese paper 24 x30 cm
Coral com figura feminina - detail




















































































Exhibition Galeria Gravura Brasileira



































 




June 2008, Sao Paulo

Exhibition Cité des Arts


























































































October 2007, Paris

Exhibition Sycomoreart Galerie



























June 2007, Paris

Exhibition MAC/ USP and FAAP












Exhibition at MAC/USP Musée d'Art Contemporain de USP (Universidade de Sao Paulo) and at FAAP - Fundaçao Armando Alvares Penteado, Sao Paulo, 20010 and 2006

Born in São Paulo, Brazil, Ana Kesselring has lived in Paris since 2006. She has a Fine Arts degree from the Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), São Paulo. In 2006 was awarded a residence scholarship from FAAP to work at the Cité Internationale des Arts in Paris. She obtained a Masters degree in Fine Arts at Université Paris VIII, with honours. She is presently doing her Doctoral studies at the same institution.


Artista plastica, nascida em Sao Paulo, Brasil. Vive em Paris desde 2006. Estudou Artes Plasticas na Fundaçao Armando Alvares Penteado, FAAP, Sao Paulo. Em 2006 obtém a Bolsa Cité des Arts, em Paris, desta instituiçao, que lhe permite um aprofundamento em sua pesquisa plastica. Fez seu Mestrado na Université Paris 8, onde obteve "honours". Atualmente é Doutoranda da mesma instituiçao. Expôs individualmente no Centro Cultural Sao Paulo (Programa de Exposiçoes), Centro Maria Antonia, Galeria Monica Filgueiras, Galeria Gravura Brasileira. Em Paris expôs na Cité Internationale des Arts, na Galerie Sycomoreart.

O QUE É UMA CORPOTOPIA? por Henrique Marques-Samyn

Pode-se vislumbrar uma pretensão totalizante nas corpotopias de Ana Kesselring; algo que se efetiva através da repetição de um conjunto particular de elementos formais – sobretudo as linhas e as cores – e que tem por efeito a evocação de uma espécie de organicidade que, não obstante, esquiva-se a qualquer possibilidade de definição restrita. Desse modo, se é possível dizer, de uma corpotopia, que sugere uma forma viva, jamais é possível determinar propriamente que forma é essa; por outro lado, a recusa mesma da definição implica a assunção da universalidade, o que eleva a obra a uma condição particular: uma corpotopia opera, afinal, como uma espécie de arquétipo, de padrão formal que insinua – sem jamais afirmar – sua similaridade com um universo de indefinidas estruturas orgânicas.


De fato, na raiz das corpotopias estão imagens de corpos humanos e animais – que, não obstante, são desconstruídas, elaboradas e transformadas por Kesselring até o ponto em que toda a possibilidade de identificação desaparece. O que resulta disso é um jogo que implica, simultaneamente, o reconhecimento estético das corpotopias como algo que nos é familiar, enquanto partícipe da totalidade orgânica de que também somos parte, e um estranhamento que está relacionado à impossibilidade mesma de identificá-las a qualquer ente conhecido; mais ainda, à radical impossibilidade de nomeá-las, a não ser utilizando este termo – corpotopia – que, enquanto neologismo, não é capaz de reduzir o distanciamento provocado, antes o expandindo também para uma outra dimensão: a lingüística.

Cabe ressaltar que a própria ciência biológica confere um elevado valor ao estudo morfológico dos organismos a partir de perspectivas descritivas, funcionais e evolutivas. Isso não quer dizer, evidentemente, que se trate de uma investigação análoga à empreendida por Ana Kesselring, cujo sentido é essencialmente artístico; contudo, há que se considerar que também a arte constitui para o homem uma forma de conhecimento, embora segundo critérios diversos. No caso das corpotopias de Kesselring, a questão colocada diz respeito à relação mesma do homem com a totalidade orgânica a partir de sua experiência estética; cabe observar, afinal, que aquela relação dialética de reconhecimento e estranhamento questiona, em última instância, a própria condição humana, apartada por uma tênue linha do vivente universo que o cerca.

Em uma derradeira tentativa de se encontrar uma resposta para a indagação que intitula este breve ensaio – “o que é uma corpotopia?” – , pode-se tomar como objeto de análise o próprio nome utilizado por Ana Kesselring, recorrendo-se à etimologia. Observaríamos, nesse caso, que aquele neologismo é composto por dois vocábulos de origem latina: corpus, que significa ‘corpo’ num sentido amplo – incluindo não apenas os corpos humanos e animais, mas também a carne, a gordura, o tronco das árvores e mesmo os cadáveres; e topos, lugar. Poderíamos, por conseguinte, conceder para o termo a vaga acepção de ‘lugar do corpo’, em que não incorreríamos em total imprecisão: uma corpotopia é, de fato, uma forma onde todos os corpos parecem habitar in potentia; em outras palavras, a realização estética do rudimento de tudo o que vive – inclusive nós mesmos.